
Enquanto não estou aqui no Pto, estou na USP fazendo mestrado. E, nesses dias, aproveito para comer no bandejão. Há quem não goste e, claro, não dá para ir lá todos os dias, mas esse restaurante guarda um quesito único que muitos outros com mais estrelas não tem: o poder de ‘fazer junto’.
Todas aquelas pessoas esperando na fila, imaginando “o que de bom será que vai ter hoje”, qual será a sobremesa, e, mais importante, se hoje pelamordedeus não vai ter peixe, tudo isso traz um clima todo especial para o ato de almoçar. Pensemos numa outra situação bem conhecida para entender o que quero dizer: quando a gente está em casa sábado à noite, deprimido e pensando que todo mundo está saindo, indo para a balada ou se deliciando em calientes encontros amorosos, nos sentimos os piores dos animaizinhos. Seria diferente se não tivesse quase toda a certeza ou sensação de que nem todo mundo está realmente fazendo isso – e que muita gente passa por isso de vez em quando.
Compartilhar sentimentos, necessidades, expectativas e surpresas: tudo isso, afinal, é necessário para nós e nossos humores/sensações diários. E é isso que a gente encontra no bandejão: um monte de gente comendo junto, e compartilhando as alegrias (ou tristezas, às vezes, hehehe), do ato de se alimentar. O mesmo, é claro, acontece em muitos outros atos que a gente faz junto. Dentre eles, é lógico, o de co-trabalhar. Sair de casa, encontrar tanta gente com tantas idéias ou aflições quanto você é um pique a mais para plugar sua tomada na parede e começar a produzir. São energias que a gente só consegue gerar quando está junto de mais gente. Sinta o cheirinho do empreendedorismo e, bom apetite, coworker!
Renato Figueiredo é mestrando na ECA-USP e no Pto de Contato é conhecido como "att, a gerência"